18/06/2008
Especial SPFW


Osklen: Verão confortável





A inspiração pro desfile da Osklen veio da chuva e das cores que os pingos refletem quando caem. A gente viu essa inspiração tomar forma de moda nas cores das peças, porque as próprias cores “choveram”, “entardeceram”, “anoiteceram” e “amanheceram”: as cores começavam em cinzas e crus, iam pra laranjas e dourados, passavam para verdes em tons escuros (era o mar refletindo à noite?) e acabavam em pretos e pratas, bem da noite.

O caimento aparece folgado e muito confortável, que ninguém quer assistir ao pôr-do-sol incomodado pela roupa. Por isso as meninas da Osklen usam vestidos curtos e soltinhos - feitos em algodões com brilhinhos espaçados, como pingos de chuva mesmo! - calças e saias super fluidas em seda estampada, macacões e vestes com decotes nas costas (muuuuitos decotes nas costas, sensuais na medida e sempre elegantes!). Muita coisa tem capuz pra chuva só servir de inspiração e não molhar os cabelos de ninguém (!!!), e o material mais interessante dessa passarela é o tricô metalizado, feito em dourado, prateado e em preto metalizado, com efeito de molhado de banho de chuva. Os meninos da Osklen têm possibilidades frescas pra inovar o guarda-roupa de verão: a Osklen propõe calças e macacões com modelagem saruel (com o cavalo bem baixo), paletós cheios de amarrações (lindos, tipo quimonos), e cáftans.

Pra completar, tênis baixinhos e sandálias plataformas, sempre com solados de corda, como alpargatas (com cara de Osklen!). As plataformas são chamadas espadrilhas e são perfeitas pra looks de verão, elegantes mas rústicas ao mesmo tempo. O recurso de styling da marca, usando no mesmo look algodão e aplicações com brilho, vale pra tudo nessa vida: compensar elementos formais e informais no look é chave pra estar arrumadinha de um jeito versátil, que alcança mais de uma ocasião!


Por Cristina Zanetti e Fernanda Resende

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 18/06/2008
Especial SPFW


Patrícia Viera: Ver para crer





A trilha de Betty Davis Eyes, interpretada por Gwyneth Paltrow e Kim Carnes, já anunciava que o desfile seria um show. Só vendo de muito perto para acreditar que tudo o que foi mostrado nessa coleção era feito de couro. Patrícia Viera tem um trabalho único e inconfundível.

O couro escamado à mão dá o efeito de cílios. O chamois tie-dye forma listras irregulares. Os quadradinhos de couro recortado formam maravilhosos mosaicos, que às vezes aparecem somente em um detalhe, ou então tomam conta de todo o vestido.

As formas, ora amplas e confortáveis como os vestidos batas, ora ajustadas ao corpo como a saia-lápis - mas sempre com a cintura marcada -, permearam toda a coleção.

O desfile começou com a clássica combinação de preto-e-branco e, aos poucos, foram introduzidas cores como amarelo, roxo, marrom, azul-turquesa e verde-oliva, terminando com maravilhoso floral estampado no couro construído através de mosaico.

Uma coleção linda, elegante, que encantou todos os convidados.


Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire
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 18/06/2008
Especial SPFW


2nd Floor: Para explorar e badalar também


A segunda marca da Ellus, com Rita Wainer no comando, mostrou uma coleção cheia de referências étnicas e formas que lembram a moda dos anos 70 (super mega em alta nessa temporada). A parte étnica da inspiração da estilista aparece em lenços estampados com pingentes em tecido colorido (uma graça!), em micro bolsinhas feitas em tramas com cara de mexicanas, mochilas em patchowrk tipo tapeçaria e mais. Os anos setenta aparecem em faixas nos cabelos das meninas, nas calças com boca mais larguinha (quase boca de sino!) e em bolsas com alças longas e cruzadas no torso.

A imagem de moda da passarela mostra jovens viajantes, exploradores de países latinos, que vão incorporando no seu próprio vestir referências dos lugares por onde passam - e dá vontade de usar tudo, tipo agora! Todos os looks apresentados tinham alguma sobreposição, e tantas camadas no calor do nosso verão (ou do verão por onde os personagens do desfile viajam!) só dão certo com tecidos naturais e super leves: os cáquis e azuis claros - e calmos - parecem levíssimos mesmo. Essas sobreposições equilibravam elementos casuais e mais arrumadinhos no mesmo look, criando uma harmonia bem boa: teve camisa com micro-saia, teve paletozinho com short, teve casaco de couro com vestido de seda. E pra facilitar a vida desses viajantes, Rita Wainer inseriu muitos bolsos, em tudo: em short cargo, em bermuda cargo,em colete tipo fotógrafo e num desdobramento fofo desse colete, em forma de salopete!

As meninas-viajantes-vaiajadas não têm medo de colocar as pernocas de fora, e quando deixam de explorar pra badalar, trocam os algodões por vestidinhos em seda com cores fortes e animadíssimas. No último bloco do desfile esses vestidinhos oferecem idéias incríveis de coordenações de cores - que servem de inspiração pra vida real de jovens e até de não tão jovens! As sedas se juntavam em blocos de combinações originais, tipo marinho, roxo e laranja; verdão e marinho e mais.

Por Cristina Zanetti e Fernanda Resende
Foto: AP
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 18/06/2008
Especial SPFW


Forum: Motoqueira do deserto





A coleção da Forum Tufi Duek foi inspirada nos Lençóis Maranhenses, e de lá vieram as cores branco, off-white, bege, azul e marrom. A paisagem paradisíaca dos Lençóis se transformaram em estampas fotográficas. E os decotes lembravam os desenhos sinuosos das dunas.O toque motoqueiro ficou por conta do styling, com capacetes, cintos, luvas, cintos braceletes com maxitachas, tudo de couro branco com metal dourado e das jaquetas e coletes perfecto.

A silhueta é ajustada ao corpo, com decotes assimétricos. Os tecidos escolhidos foram a seda, o georgette, o cetim e jacqaurd (com pequenas ondulações).

No final do desfile um clássico da grife, uma seqüência de vestidos longos de jérsei ultra decotados tanto na frente quanto nas costas.

No casting, mulheres lindas e com maquiagem de tons terrosos e cabelos presos num rabo-de-cavalo desconstruido, que ajudou a formar a imagem dessa mulher sempre muito chique.

Tufi Duek foi fiel ao seu tipo de mulher sempre sensual e elegante, e promete agradar a sua clientela.

Por Sandra Bittencourt, editora de moda da Revista Marie Claire
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 18/06/2008
Especial SPFW


Fábia Bercsek





Nem a inspiração em bonecas e na Belle Epoque conseguiram fragilizar a mulher de Fábia Bercsek. A estilista gosta de mulheres fortes, que não temem cores vibrantes, como pink, amarelo canário e coral, e silhuetas inusitadas, como corsets combinados com peças esportivas, quimonos adaptados (um deles, feito de jacquard, era uma das peças mais bonitas da coleção) e saias de vinil com um balonê “armado”. A trilha, que começou instrumental, evoluiu para Hot Chip - uma das bandas preferidas de Fábia - com a música “One Pure Thought” para as últimas entradas e fila final, no qual parte das modelos soltavam bolhas de sabão pelo topo da cabeça. Vale prestar atenção também nos sapatos e nas maxicarteiras, já que acessórios são uma especialidade da estilista.

Por Luciana Obniski
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 18/06/2008
Especial SPFW


Do Estilista: Conceito e coragem


No meio da exibição “Quando vidas se tornam forma – diálogo com o futuro”, com obras de artistas contemporâneos brasileiros e japoneses - com toy-arts gigantes e instalações de garrafa pet - , o estilista Marcelo Sommer mostrou uma coleção mais autêntica e conceitual. Depois de mais de uma hora de atraso e de uma pequena confusão na entrada do museu – os convidados só podiam entrar de 10 em 10, de maneira ordeira, para não danificar as obras de arte – nos sentamos, todos na fila A, pois não existia outra. O release do desfile já me deixou muito curiosa: uma descrição de cada look anunciava que veríamos uma bruxa, uma enfermeira, uma freira… Sommer é sempre bem lúdico, mas desta vez, a sua coleção se chama Desfile Fantasia. Com peças sempre pretas, brancas e pink (ou as três misturadas), looks construídos a partir do desdobramento do chemise, cocktails dresses (vestidos de festa na altura do joelho), muitas vezes com shape anos 50 foram aparecendo.

Algumas das “fantasias” eram bem usáveis, como a de havaiana, que virou um vestido mega balonê com estampa delicada, ou o palhaço, que vestia um macacão xadrez bem larguinho - que serve tanto para os meninos quanto para as meninas. Outras, como a burca (que era uma burca mesmo, só que xadrez) ou o esqueleto, que era um body suit (macacão colante) preto com os ossos desenhados de pink, eram puro conceito e me deixaram com água na boca para ver como os seus irmãos mais comerciais vão chegar nas lojas. Um desfile que me deixou meio embasbacada pela coragem do estilista em apostar tão fortemente no que ele acredita e de ter feito tudo de forma tão bonita e natural.

Denise Dahdah, editora de moda da Revista QUEM
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 18/06/2008
Especial SPFW

Nosso lounge


Fizemos aniversário esses dias. São 19 anos de CRIATIVA, e uma das novidades desse ano é o lounge na São Paulo Fashion Week. Junto com Época SP, Marie Claire e Quem a revista participa do maior evento de moda da América Latina. Dá só uma olhada.

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 18/06/2008
Especial SPFW


Origami no SPFW





O SPFW começou sua 25a. edição com a decoração inacabada. Parte do "desleixo" não foi proposital e, por isso, diversos andaimes ainda permaneceram montados, ontem, para que os painéis de papel pudessem ser colocados.


A parte proposital pode ser vista logo na entrada da Bienal, onde foi montada uma estrutura de madeira que lembra uma árvore de cerejeira, a mais característica do Japão. Ao lado, uma bancada com quatro especialistas convida quem está passando por lá a fazer uma dobradura que é depois colada em um dos "troncos". Como o evento promove a integração Brasil-Japão, estão sendo confeccionadas flores de Ipê, uma das árvores mais características do Brasil.


O ritual de dobrar e colar flores em troncos de cerejeira é tradicional no Japão e, além de exercitar a paciência, promete trazer o pedido feito - devidamente anotado na parte de trás da flor, uma vez que pronta. Até agora, já foram dobradas aproximadamente 4 mil delas, preenchendo ainda no primeiro dia do evento boa parte do espaço destinado à atividade.






Por Marina Gurgel - Época SP


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 19/06/2008
Especial SPFW

O fundo do mar invade a passarela




Antes mesmo do primeiro look entrar na passarela, o desfile da Ellus arrancou aplausos e gritos dos convidados ao montar um verdadeiro aquário com dois modelos mergulhando vestidos com as roupas da nova coleção de verão da marca. Mesmo com a ausência de famosos, o desfile causou frisson pela criatividade. Após as modelos desfilarem os looks, todos correram para ver de perto o aquário gigante e os modelos que continuavam nadando dentro dele. “Fizemos ao vivo a cena do mergulho para reproduzir o fundo do mar, que foi a inspiração dessa nova coleção e a imagem da campanha”, disse Adriana Bozon, da Ellus.

Uma das modelos que não mergulhou, mas arrasou na passarela foi a veterana Ana Claudia Michels. Bem magra e com uma pele de menina, a top de 27 anos arrancou suspiros da platéia masculina e contou o segredo para manter a forma. “Acho que como estou mais feliz e com a cabeça boa, por isso emagreci rápido. Estou com um corpo que é resultado de dois anos de musculação pesada”, disse a modelo que montou uma mini-academia em seu apartamento em Higienópolis. E para manter a cabeça boa ela conta que tem feito terapia uma vez por semana para se auto-conhecer. “Tento fazer yoga uma vez por semana, mas a terapia eu não falto mesmo”, disse a top.

Por Luciana Christianini, da revista QUEM
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 19/06/2008
Especial SPFW

Movimento: Guerreiras da areia


A grife Movimento, de Tininha da Fonte, se inspirou em mulheres fortes para o verão 2009: guerreiras, militares, cangaceiras, étnicas e africanas.

Do estilo militar, o verde-oliva e os botões de uniformes; do cangaço, as pochetes utilitárias de sarja; das etnias, as estampas de mosaico; e da África, o animal print.Todos esses elementos juntos, em uma única coleção, que adquiriu unidade através das as bijoux artesanais de osso, das maxibolsas de lona e de palha e das sandálias gladiadoras de salto alto (aquelas cheias de tiras grosas). O cabelo, com uma trança lateral, reforçou o conceito de força e sensualidade.

Os biquínis e maiôs tinham modelagem comportada, com calcinhas grossas e retas e sutiãs de faixas e alças largas. Para compor os looks de beach wear, parkas de náilon, vestidos longos de georgette e misturas de estampas (que vimos até esgotar nos desfiles do FashionRio), que foram da folhagem azul, verde e branca, aos tribais laranjas, pretos e brancos, passando por prints de onça, em roxo com dourado.

Um desfile comercial que promete invadir o litoral no próximo verão.

Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire

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 19/06/2008
Especial SPFW

UMA: Urbanas sim, mas superelegantes

Todo mundo que fala das coleções da UMA diz, em algum momento, que as criações da estilista Raquel Davidowicks são “urbanas”. E são mesmo, mas dessa vez vieram com um algo mais: nos dois últimos desfiles, a gente percebeu um toque romântico nos looks “urbanos” da marca, e dessa vez a moça da cidade (que usa tudo que a gente viu na passarela) está beeeeem mais sofisticada. Os cabelos das modelos estavam presos em rabos de cavalo superelegantes, os óculos que elas usavam eram modernosos e a imagem final é de uma mulher urbana sim, mas bem chique. As modelagens que estão fazendo sucesso nessa edição do SPFW também apareceram no desfile da UMA: teve bermuda saruel (que a gente a-mou!), teve macacão e teve peça transpassada, com amarrações na altura da cintura. Tudo em preto, branco, azul, cinza, amarelo e laranja.

Mas o que a marca mostrou de mais legal foram os looks monocromáticos mas nada monótonos: looks inteirinhos em preto ou em branco pareciam mais originais por conta de superfícies interessantes e volumes super bacanas. Quando uma parte de baixo era opaca, a parte de cima era feita em tecido lustroso. Quando a parte de cima era lisa, a parte de baixo era cheia de texturas. E essas texturas super lembravam a idéia de reciclagem, inspiração da estilista para essa coleção: os tecidos amassados pareciam ter sido tirados de dentro das sacolas de lixo que enfeitavam a passarela; os recortes de tecido sobre as blusas pareciam remendos de retalhos reaproveitados (no bom sentido, que era tudo bem bonito!). As estampas, essas reaproveitadas de verdade (recicladas!), foram impressas sobre tecidos resinados, com efeito “lusco-fusco” (ei, dona Regina Guerreiro!) no próprio tecido. E a “cara” de urbana da moça que veste Uma no próximo verão fica por conta das sandlálias e sapatilhas de tiras pretas, cheias de tachas.

Por Fernanda Resende e Cristina Zanetti






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 19/06/2008
Especial SPFW


V.Rom: Viajante Estiloso



Igor de Barros, assistente prodígio de Rogério Hideki e Vitor Santos, que assumiu a marca há três coleções, quando a dupla foi desligada da empresa, está cada vez mais afinado. A coleção da V.Rom para o verão, inspirada no Oriente e em como o Ocidente o vê (com pitadas do filme de Wes Anderson, “Viagem a Darjeeling”), trouxe referências étnicas variadas, que passaram pela Índia (com as ótimas calças Jhodpur, uma paixão de Igor desde que ele desfilava pelo Amni Hot Spot) e por Jerusalém (diversos modelos vieram com fios soltos na altura da cintura, como os usados por Judeus Ortodoxos). Ao som de Oasis (”Supersonic” para começar e depois “Rock ‘n Roll Star”), os meninos de Igor desfilaram cores inspiradas pelos temperos orientais, como verde menta, laranja, vermelho páprica e amarelo (esse tom retirado especificamente do filme, assim como a estampa de cashmere) e muito florido.

As formas variaram entre soltas (para shorts e bermudas) e mais rentes ao corpo (alfaiataria em geral, com ênfase nas camisas). Os tecidos eram todos leves, já que a proposta do estilista era a de um viajante ocidental pelo oriente. Reinaram o tricoline leve, a gaze de algodão e a malha de seda, com estamparia digital. Os tênis, feitos especialmente para a marca, eram de cano mais alto, e funcionaram super bem com os comprimentos curtos e as calças afuniladas.

Os novos sócios da marca Marcos Mion (que participou do processo criativo da coleção), Ricardinho Mansur e Turco Loco estavam lá para prestigiar a apresentação. Marcos Mion, inclusive, usava uma calça verde e o tênis da coleção que, sinceramente, ficaram mais bonitos nos modelos.

Por Luciana Obniski, da revista Época São Paulo

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 19/06/2008
Especial SPFW

FH: a nova marca do Fause Haten



O estilista Fause Haten mostrou hoje a primeira coleção da FH, marca recém criada por ele pra continuar seu trabalho, agora que está desligado da marca que leva seu nome e do grupo I’M. Mesmo depois de tanto bafo envolvendo negócios e dinheiros, a gente viu na passarela que o Fause não perdeu o gosto pelo glamour. A coleção é um maxiportfólio do que o estilista sabe fazer melhor: vestidinhos e “vestidóns” pra festas, quase sempre em sedas e tecidos lustrosos (quem não adooora um brilho?), em cores fortes e vivas tipo preto, verdão, lilás, rosa chiclete eum pouco de dourado. Cores de uma mulher madura, que sabe festejar e fantasiar pra compensar a dureza da vida real.

A gente entendeu a coleção como maxiportfólio, pois Fause Haten mostrou muito da sua habilidade em caimentos e comprimentos e decotes diferentes em todo tipo de vestido: redingotes, com decotes tomara que caia, com um ombro só, sobrepostos a macacões de malha, estruturados e soltos, curtos e longos. E as texturas que a gente viu na passarela eram, de perto, outra parte do trabalho detalhado e delicado do estilista! Num mesmo vestido, Fause juntou renda em tule e micro paetês; num outro teceu uma trama com tiras do próprio tecido (a gente mega amou). Em outros cobriu toda a superfície da roupa com micro lacinhos de fita de cetim, misturados com cristais de vários tamanhos. O efeito em movimento é sensacional e vai ser o acontecimento de qualquer festa de verão (tem que carregar, viu?).

Além de vestidos, Fause desfilou macacões e conjuntos de calça e blusa, tudo com cintura bem alta - que mesmo que ele tenha um estilo super definido, alguma tendência sempre aparece. A gente adorou os cardigans finos que apareceram amarrados nas cinturas de algumas modelos - super sugerindo que a gente pode trocar as antigas pashiminas por casaquinhos leves nas nossas festinhas de verão. Pra compensar tanta delicadeza, os acessórios eram bem pesados: o que acompanhava os vestidos-acontecimento da FH eram sandálias com plataforma e bolsas em couro preto. Mas sempre com uma aplicação de flor vazada, cheia de brilhos, pra não perder a pose.

Por Fernanda Resende e Cristina Zanetti

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 19/06/2008
Especial SPFW

Triton: Por uma Amy saudável

Inspirado nas formas da borboleta, no heroin chic e no punk, o desfile da Triton foi quase um manifesto à recuperação de Amy Winehouse - que luta contra as drogas há mais de ano, e, para a Triton, já está na hora de passar, enfim, por uma metamorfose. A maquiagem faz alusão ao olho inconfundível da cantora, assim como parte dos looks, parecidos com os que Amy usa (quando está com roupa). Mas as semelhanças param por aí.

A menina Triton é bem cuidada, se veste bem, não sai por aí só de sutiã e é saudável. O cabelo também é bem mais arrumado que o da cantora, num coque banana volumoso fiel ao estilo rockabilly, que também permeou a coleção. Os vestidos tipo cocktail (tendência vista em quase todos os desfiles) vêm tomara-que-caia, com corpetes inspirados em asas de borboletas e saias balonê armadas curtíssimas com aplicações de borboletas.

Alguns looks trouxeram tendências bem comerciais, como shorts balonê com camiseta soltinha com estampas inspiradas no punk e calça saruel de alfaiataria com regata. Os zíperes de algumas peças de couro, como o macacão, são guitarrinhas, também seguindo a linha punk. As sandálias eram estilo gladiador, com saltos altíssimos e durante o desfile inteiro ouvimos Queen, começando com “I Want to Break Free”, passando por “Another One Bites the Dust” e terminando com “Radio” e “Magic”.

Por Luciana Obniski, da revista Época São Paulo
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 19/06/2008
Especial SPFW

Cia Marítima: Brisa dos anos 70





Uma confusão de pessoas, de celebridades, de lugares e de flashs. Parecia impossível encontrar a cadeira certa para se sentar. Resultado: o desfile marcado para 21:15, so começou as 22:30.

A Cia Maritima transformou a Marquise do Mam em três passarelas com um pit de fotógrafos no final de cada uma delas e uma boca de cena no meio, de onde saiam as modelos. Para amenizar o frio, vários aquecedores estavam espalhados pelo espaço aberto. Um perfume dos anos 70 pairou por todo o desfile, desde a trilha até à beleza das modelos.

Biquíni com detalhe de resina que imitava marfim, vestido com estampa de cashmere, saia longa com efeito tie-dye multicolorido, vestidinho e maiô de tricô com padronagem “missoni” (clássica construção da marca italiana), biquíni com mix de estampas de onça com floral, kaftan com print de cobra colorida e, para finalizar, sandálias de trece de couro. Pronto, estava formada a grande comunidade hippie da Cia Maritima.

A top tcheca Karolina Kurkova mostrou um corpo não tão em forma quanto o das modelos brasileiras. Tanto que, para encerrar o desfile, ela usou um vestido longo estampado.

Muito cabelo, muita estampa, muito salto alto, muito acessório e muito pivô no final da passarela. Este foi o jeito de Benny Rosset mostrar a sua coleção de beach wear.

Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire

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 20/06/2008
Especial SPFW

Iódice: Poderosas de Atlântida





Flávia Alessandra se maquiava no salão Studio W do Shopping Iguatemi apenas para assistir ao desfile da Iódice. Dentro da sala aonde aconteceria o show -um espaço em frente ao salão, no 9o andar-, Adriane Galisteu era fotografada a exaustão. Esta é a mulher da Iódice: sempre pronta para ser capa de revista. E esta mulher vai adorar os vestidos e blusas plissadas (nas mangas, nas golas e em peças inteiras) que foram o centro da coleção que a marca apresentou. Inspiradas em Atlântida, a cidade mítica do fundo do mar, as peças carregavam detalhes (como os plissados em viés e nas golas levantadas) que remetiam a guelras de peixe e estampas azuis, roxas e brancas que pareciam ondas. Os vestidos eram longos e com detalhes retorcidos e repuxados que vestiriam estátuas gregas. As calças eram pantalonas ou boca-de-sino. As costas foram o foco e ficavam de fora em vestidos e blusas frente-única. No final do desfile as mulheres de Atlântida foram parar na praia e looks preto e brancos transparentes, muitas vezes sobre biquínis e sempre acompanhados de chapelões colocaram o pé na areia.

Denise Dahdah, editora de moda da revista QUEM
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 20/06/2008
Especial SPFW

Maria Bonita: Com cara de Brasil e mega elegante





A gente já sabia que a inspiração da estilista Danielle Jansen para essa coleção da Maria Bonita vinha de estudos sobre a identidade e os regionalismos brasileiros. E Dorival Caymmi embalou o desfile cantando as cores que a gente viu no desfile todo: os beges áridos do sertão, os azuis do mar, os cinzas e brancos do vento. E os azuis são vivos em turquesa ou escuros em marinho, o bege é intenso, bem caramelo, os cinzas são suaves e transparentes. Tudo superelegante mas muito confortável: a modelagem é bem ampla e a silhueta fica perdidinha lá dentro, sem marcar a cintura ou qualquer outra forma.

O foco da coleção é o macacão (é o verão do macacão, viu, gente?) e ele aparece de todo jeito na Maria Bonita: em calças (sempre curtas, pra mostrar sapatos tipo masculinos em trama de palha inacreditáveis!) e em bermudas, com gancho baixo tipo saruel, com dobras na frente criando volumes e - sensacional! - em tomara-que-caia, com cós no busto e bolsos altos, tipo uma calça gigante! As peças são bem desestruturadas, e a gente fica sem saber se a camisa é paletó ou o contrário, fica passada com a leveza da capa em comprimento 3/4 feita de tricô levíssimo. Tão leve que tinha textura como de uma rede - mas uma rede estilosa e chiquérrima, com costuras aparentes e coloridas (que pra ser intelectualizada não precisa perder o humor!). Texturas que também aparecem nas rendas de bilro, confeccionadas em peças de modelagem super atual (pra não ficar fantasiada de regional, né?). E as sobreposições propostas na passarela também aparecem com cara de fresquinhas! As mais legais são as que têm camisa ampla e curta sobre macacões e vestidos leves.

A Maria Bonita sempre desfila estampas abstratas ou geométricas - atemporais pra que a roupa, mega de qualidade, seja usada pra sempre. Dessa vez as peças estampadas pareciam telas pintadas em cinza com blocos de cores coloridas, tipo turquesa, verdão e laranja. Todas as peças tinham detalhes amarrados, repuxados ou acinturados por cordas (que também enfeitavam o rabo de cavalo das modelas, tipo num tererê gigante!), e essas cordas coloriram do jeito mais incrível as peças em bege escuro da marca: a coordenação de beges como base com laranja, azul turquesa e azul escuro surpreendeu a gente - e deu vontade de repetir já nos nossos looks.

Por Fernanda Resende e Cristina Zanetti da Oficina de Estilo

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 20/06/2008
Especial SPFW


Cori: Folclore Mexicano





A Cori viajou ao México para buscar as inspirações da coleção de primavera-verão 2009. E de lá vieram as padronagens indígenas, os bordados, as estampas e as cores. Os shapes eram amplos e com a cintura marcada. Os maxicoletes e as pantalonas plissadas permearam todo o desfile. A estampa ia da abstrata multicolorida à indígena geométrica. O couro recortado na horizontal apareceu nos vestidos curtos. O jeans delavé com bordado cheio virou um vestido chemise longo. Os acessórios como colares de pedras e sandálias de trecê, junto com as tranças do cabelo reforçou o estilo étnico da coleção. Para finalizar, looks de cetim e chamois com blocos de cores pink, turquesa e coral - com acabamento de franjas com contas de metal que lembravam guizos.Mais uma vez Dudu Bertolini e Rita Comparato mostraram peças com um estilo característico da dupla, diferente da Cori que conhecemos há tanto tempo.

Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire
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 20/06/2008
Especial SPFW

Alexandre Herchcovitch: Homens primeiro





Os desfiles de Alexandre Herchcovitch são sempre os mais esperados da estação. Dessa vez, o estilista escolheu mostrar sua coleção masculina antes da feminina, que é ainda mais aguardada. Deu certo. A tropa de japoneses na primeira fila delirou com cada entrada e bateram palmas esfuziantes no final da apresentação (algumas bateram os pés no chão). Tanto alvoroço se deve à maestria com que Alexandre consegue passear em diversas inspirações. Neste desfile, por exemplo, Alexandre misturou influências garimpadas em países com questões territoriais. E, já que estes países estão ocupados por alguma força militar, há claras referências aos uniformes militares (os botões e a construção dos casacos) e ao oriente médio, já que boa parte dos looks tinha algum tipo de lenço amarrado no pescoço.

A mistura de todas estas etnias culminou em estampas folclóricas, que não lembram um país especificamente, mas misturam influências do oriente médio e do leste europeu. A alfaitaria, sempre o ponto alto do desfile, apareceu em macacões, casacos, camisas, bermudas cargo e calças saruel - o casaco/vestido masculino chamou bastante a atenção. As cores foram preto, vermelho e verde, predominantemente, permeados por tons mais suaves (como azul claro e branco). Alexandre também misturou suas estampas, mas sempre mantendo uma unidade de cor. A maquiagem dos meninos era escura, uma referência tanto aos combatentes de guerra quanto aos nativos do oriente médio.

Na trilha, os americanos indies do Of Montreal imperaram com a música “Past is a Grotesque Animal”.

Por Luciana Obniski, editora do site da revista Época São Paulo
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 20/06/2008
Especial SPFW


Huis Clos: Brilhante, firme e consistente





Jeans? É jeans. A Huis Clos usou o material de forma tão chique, leve e maleável que eu tive que olhar duas vezes para acreditar no que os meus olhos viam. O primeiro look, que geralmente resume o que vai ser visto em toda a coleção, fez isto mesmo: shape largo, alfaiataria, cores esmaecidas e dobraduras nos detalhes. Uma sucessão de roupas bonitas, confortáveis e chiques (como tudo que a marca faz) trouxe vestidos-camiseta, macacões, cinturas baixas, calças com a perna justa e largas em cima, plissados e comprimentos sempre abaixo do joelho. Os looks iam se revezando nas cores rosa chá, pêssego, amarelo-cítrico e branco - todas as peças lisas. No meio de tudo, um vestido inteiro bordado, de corte simples (pense em uma camiseta de dormir, logo abaixo do joelho), aparece para confirmar que a marca sabe fazer roupa glamurosa tão bem quanto a do dia-a-dia. No final do desfile, palmas, muitas delas, de forma firme e consistente e até o final (uma raridade nos desfiles hoje em dia) resumem o que foi mostrado na passarela.

Por Denise Dahdah, editora de moda da revista Quem
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 20/06/2008
Especial SPFW

Blue Man assume lado urbano ao voltar para São Paulo





Em sua volta para a São Paulo Fashion Week (a Blue Man desfilava em São Paulo, mudou-se para o Rio há seis anos e agora volta para as passarelas paulistanas), a grife de David Azulay “maneirou” um pouco o estilo extremamente carioca e praiano, que vinha permeando suas últimas apresentações, e se inspirou em um ambiente urbano.

As estampas eram mais sóbrias, ora com carros, ora com naipes do baralho, ora com estampa gráfica. As formas, nem tanto. A Blue Man aposta em biquínis pequenos, feitos para serem usados na praia, e não flerta muito com o conceitual. O ator Cauã Reymond foi chamado para atrair a atenção às sungas, que também são uma parte importante da coleção da marca, e são largas e usáveis, lisas e estampadas.

A trilha foi toda feita ao vivo, pela banda carioca Os Impossíveis, que acompanha o ator Marcelo Novaes em seus shows cariocas, e improvisou em cima da música “Racional”, de Tim Maia, em meio a projeções psicodélicas. Foi a fusão perfeita para mostrar que a Blue Man está cada vez mais urbana.

Mas, mais do que tudo, vale falar da volta triunfante de Ana Claudia Michels, que está mais bonita do que no início de sua carreira. David, esperto, encerrou o desfile com a loira, que está com o corpo mais bonito da estação.

Por Luciana Obniski, da Época São Paulo
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 20/06/2008
Especial SPFW


Bem vindo ao mundo de Animale





O perfume da Animale pairava (literalmente) no ar, a fragrância da grife se fez presente durante todo o desfile. A marca mostrou uma mulher forte e sexy como as guerreiras do cangaço. O contraponto perfeito entre a feminilidade e a agressividade.

Raquel Zimmerman abriu o desfile, com um colete vermelho com a pala de cartucheira e uma calça xadrez, mais linda e elegante do que nunca. Aliás, o casting foi um espetáculo extra, além da Raquel desfilaram Jeisa Chiminazo e Isabel Goulart, todas ultra-mega-tops.

A inspiração cangaceira foi vista em todo os detalhes do desfile, como o acabamento em forma de cartucheira e bala de revólver, no cinto-pochete de couro rústico ou todo coberto de cristais Swarovski e nos bolsos utilitários dos uniformes militares. O mix de padronagens xadrezes e listradas, mais o acabamento de balas de metal, formaram um look muito interessante. Vermelho, ferrugem, marrom, bege e verde foram as cores eleitas para essa coleção. Os tecidos foram da seda e do georgette, passando pelo jeans e couro.

A silhueta era sexy, confortável e assimétrica, com blusas soltas decotadas, calças e vestidos mais ajustados ao corpo. As peças de couro com estampa de madeira marchetada nos vestidos, coletes e minissaias, atiçaram a curiosidade dos convidados.

Enfim, um desfile fiel a sua inspiração, e que promete agradar as clientes fiéis da marca.

Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire
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 20/06/2008
Especial SPFW

Vídeo: Aprenda a fazer um make de verão

Marcos Costa, maquiador da Natura, ensina a fazer um make que é a cara do verão 2009. Assista:


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 20/06/2008
Especial SPFW>

Vale tudo para entrar na Fashion Week

Tem muita gente desesperada para entrar na Bienal enquanto acontece a SPFW. Tem mãe dizendo que a filha acabou de ter crise de pânico, aqueles que pedem para ir ao banheiro lá dentro, rapidinho, e os que dizem que vão buscar o convite com uma amiga. Isso quem conta é Elton (foto ao lado), que trabalha de “host” (ou anfitrião) há três anos no evento. Ele já escutou as desculpas mais esdrúxulas de pessoas que querem entrar no evento e conta que o pior dia é domingo, quando o parque está cheio. Dentre as histórias mais criativas estão as dos estudantes de moda que chegam com a carteirinha, mas sem convite. Segundo Elton, a melhor cena que presenciou foi a de uma moça que chegou com uma carteirinha do Instituto Universal Brasileiro – aquele que dá cursos e anuncia em gibis – dizendo ser detetive e estar trabalhando.


Elton diz ainda que há os políticos tentando entrar, pessoas que dizem que são melhores amigas dos estilistas, mas não têm convites. E para ele não há exceção. “Às vezes, dói o coração, mas sem convite não entra”, sentencia.

O segurança Thiago Oliveira (foto ao lado), que fica na porta dos desfiles cuidando de quem entra e de quem é barrado, afirma que dentro da Bienal as desculpas esfarrapadas continuam. “Tem os malandros que dizem que vão entregar uma ‘fita’ lá dentro ou os que dizem que foram convidados por alguém que nem existe, mas a gente nunca tomou ‘balão’”.

Quando perguntado se entrava nos desfiles, o segurança diz que sempre que possível dá uma espiada. “O da Iódice foi da hora. Tava a Adriane Galisteu, a Ellen Roche. Nossa ela é muito bonita!”, entusiasma-se. Ele conta ainda que não entende e nem quer entender de moda. “Não entendo nada de moda, mas vejo uns negócios estranhos, o povo incrementando demais, que nem quero entender”, finaliza.

Por Rachel Sterman, da Época São Paulo
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 21/06/2008
Especial SPFW

Reinaldo Lourenço: Porcelana de casamento







Reinaldo mostrou uma coleção doce e romântica, com alguns toques de alfaiataria masculina. Uma inspiração nas porcelanas francesas e russas, na alta costura doas anos 60 e nos vestidos de noiva.



Todas as meninas do casting tinham o mesmo tipo de beleza, branquinhas de cabelo liso e maquiagem nude (cor de pele).



Na primeira parte do desfile os looks eram baseados nos vestidos de casamento, de cetim branco com trama de palhinha (aquelas cadeiras antigas), que às vezes apareciam somente no barrado o na parte de cima dos vestidos. O toque final foi a bolsa-carteira com flores aplicadas que lembrava um buquê.



Depois entraram os looks de cores pastel como o amarelo, o rose e o azul, que seguiam o mesmo shape confortável e com o comprimento na altura dos joelhos.

Os trecês de cetim se juntaram com os tecidos brocados, estampados e listrados, sempre na mesma gama de cores, como a referência das porcelanas.



Num segundo momento, o desfile evoluiu para a alfaiataria masculina, que dessa vez foi um desdobramento do colete. Vestidos, tailleurs, ternos, tudo inspirado em uma única peça.



Na última parte do desfile, a silhoueta 60 predominou nos looks que agora tinham uma cartela de cores mais vibrante com o azul cobalto, amarelo gema e dourado. Muito laço, babado e drapeado.



Como sempre Reinaldo mostrou uma coleção linda, extremamente bem feita e coerente. Os convidados aplaudiram de pé.



Por Sandra Bittencourt, editora de moda da revista Marie Claire
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 21/06/2008
Especial SPFW

Cavalera: Circo que arrepia, mas não assusta nada nada






A equipe de criação da Cavalera, que na edição de inverno 2008 levou fashionistas pra margem do rio Tietê, dessa vez levou todo mundo pra bem longe da realidade. O desfile da marca, apresentando propostas para o próximo verão, aconteceu hoje em clima surreal, tipo num circo de horrores: é tudo de arrepiar, mas não assusta! As luzes da sala de desfile se ascenderam pra mostrar três modelas levitando na boca de cena - como por mágica!, e modelos usando máscaras de animais e cabeças de monstro (o que era aquilo, né, gente? um polvo?) carregavam os looks cheios de humor idealizados por Marcelo Sommer - estilista à frente da equipe de estilo da Cavalera. Era uma imagem pesada, mas ao mesmo tempo etérea, como em sonhos. Com a cara e a identidade do Sommer, mas claramente feito para a Cavalera e pros clientes jovens da marca.

E tudo era veeeeerde! Em vários tons, já anunciados no release com nomes engraçados tipo abacate, cidreira, dólar (!!!), esperança, lousa, marciano e trevo (bem Sommer). E os looks coordenavam esses tons com pretos e (poucos) jeans, às vezes com transparências, às vezes com aplicações de flores, às vezes com sobreposições - feitas com mini jaquetas-smoking, ou com mini-casacas, com frente bem curtinha e caudas longas. Mágicos? Palhaços? Podia ser, a viagem tava boa e a gente queria mais. Então teve saia com cintura alta, vestido chemise, macacão (em jeans!) e calça saruel, bermudas e shortinhos. Com mointo brilho e com estampas divertidas, com toques de laranja e rosa e amarelo. A mais legal é a estampa digital que, de longe, parece um floral delicado, e de perto vira graaaaama! Os meninos usaram bermudas saruel, paletós com abotoamento de smoking e capas plásticas com insetos estampados. As modelagens da Cavalera aparecem todas confortáveis, mas menos amplas do que o SPFW tem mostrado: os vestidos caem mais perto da silhueta, as cinturas são as mais marcadas da temporada (até agora). E nesse circo maluco e sombrio, todo mundo usa botas tipo cowboy.

Quando a gente abstrai a viagem de moda da Cavalera, todos os elementos importantes pro verão que vem estão lá - tanto do que pode ser chamado de tendência como o que provavelmente vai povoar to-das as vitrines do BR. A gente suspira com a fantasia, mas a realidade vai se mostrar (provavelmente!) cheia de jeans sequinhos, vestidinhos-desejo e capinhas leves pra próxima temporada. As modelagens mais secas, inclusive, são super usáveis e estão quase-quase prontas pra vida real.


Cristina Zanetti e Fernanda Resende, do blog Oficina de Estilo
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 21/06/2008
Especial SPFW

Alexandre Herchcovitch feminino: Clima militar






As coleções de Alexandre Herchcovitch sempre se “conversam”. Desta vez, a inspiração que une as duas linhas é a de países em zona de conflito e os militares que as ocupam (mais precisamente, o oriente médio e o leste europeu). Na coleção masculina, Alexandre decidiu exaltar o luto que esses confrontos causam – daí as bandeiras pretas no cenário.

No feminino, escolheu por exaltar a paz – as bandeiras, então, eram brancas –, começando com um desfile bastante estruturado, com macacões, bermudas e casacos cor de pele inspirados em uniformes militares que aos poucos foram permeados por babados leves de seda, de cor coral, passando por vestidos mais soltos, camuflados com paetês em forma de flor de diversas cores, até virarem vestidos quase babydoll com cores de “bala” (verde água, lilás, amarelo e azul claro), bem desconstruídos, no final.

A trilha era quase toda instrumental, já que as roupas atraiam todas as atenções dos espectadores e a maquiagem, leve. As modelos tinham ar angelical com pele clara e olhos iluminados com sombra coral. Nos pés, ankle boots e mary janes com saltos em forma de “X”.


Por Luciana Obniski, da revista Época São Paulo
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 21/06/2008
Especial SPFW


Anabela Baldaque: Engraçadinha… mas só







Anabela Baldaque é uma estilista portuguesa, convidada a participar da São Paulo Fashion Week pela primeira vez na edição de verão 2007 do evento. Esse é a terceira coleção que a gente vê aqui em SP: todas românticas, caretinha mas sempre correta, cheia de lacinhos, rendinhas, babados, frufrus, sainhas e mooooointos vestidinhos. A gente não conhece a moda portuguesa, mas Anabela Baldaque não se destaca quando se apresenta aqui, inserida num grupo tido como o mais excelente da moda brasileira.

Não tem inovação, Anabela não mostrou nada nada nadinha de novo, mas não mostrou nada feio - os vestidinhos são bem engraçadinhos, prontos pra vitrine do seu único ponto de venda no BR, aqui em SP (tem mais?). Na passarela da portuguesa não faltou leveza: o cenário era branco, super delicado, com dobraduras gigantes (de pássaros), a trilha era suave como de uma caixinha de música. As sainhas e vestidinhos e blusinhas e cintinhos são todos em algodão levíssimo, com rendas bordadas no tecido e estampas florais. E as flores aparecem grandes coloridas e espaçadas, ou bem pequenininhas, querendo ser “seventies”. Alguns elementos lembram Portugal, como um bordado (quase) típico num vestido laranja e o floral de um vestido branco, vermelho e verde.

As sandálias plataforma feitas em madeira são super bonitas, mas pesaram - de um jeito que o som da marcha das modelas interferia na trilha do desfile. Tudo é usável, tudo é até desejável - mas pouco criativo e inspirador. Pelo menos dentro do SPFW.


Por Cristina Zanetti e Fernanda Resende, do blog Oficina de Estilo
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 21/06/2008
Especial SPFW


OESTUDIO: Interatividade para a SPFW







Moda é uma forma de expressão. É seguindo essa máxima que o coletivo carioca OESTUDIO pauta as suas coleções. Longe das passarelas paulistanas há dois anos para cuidar de projetos paralelos (eles fazem, além de moda, design, vídeos e vários projetos misturando tudo), como os uniformes dos jogos PanAmericanos do ano passado, eles escolheram, mais uma vez, transformar a passarela em um palco (onde a platéia senta só de um lado da sala e de “frente” para os modelos) e provar que moda pode “conversar” com outras mídias (vídeo, música), já que dominam várias delas. Praticamente um show.

Por dominar o vídeo, já é característica da marca fazer projeções, que interagem perfeitamente com o desfile pois são programadas ao vivo, assim como a trilha, que desta vez veio hi-tech, com quatro músicos “tocando” controles remoto do vídeogame Nintendo Wii, que capta os movimentos da pessoa e os reproduz como se fosse um instrumento de verdade.

O desfile foi dividido em cinco blocos: o primeiro trazia estampa em preto e vermelho de células aglomeradas, formando um grafismo. O segundo bloco mostrou vestidos e ternos pretos com debrum (tecido próximo às extremidades) que brilhava no escuro - este bloco inteiro foi desfilado no escuro.

Para o terceiro bloco, o grupo trouxe uma estampa de flores geométricas, “pixelizadas” na definição deles, que na verdade eram a junção de diversos hexágonos. No quarto bloco, o coletivo explorou a palavra saudade, que só existe na língua portuguesa e fez uma brincadeira com as letras, projetadas em uma parede, que formaram diversos desenhos e outras palavras, como “sad” (triste, em inglês), que completavam as roupas (um dos meninos carregava uma mochila com tela de LCD que trazia parte das projeções). O quinto bloco foi uma sucessão de projeções, seguidas da fila final dos modelos.

A modelagem, como se pode perceber pela descrição acima, não é a questão principal do desfile d’OESTUDIO e por isso era um pouco repetitiva, com vestidos na altura do joelhos e de saia godê. Os meninos, em sua maioria, usavam alfaiataria. Mas isso não tira a satisfação de assistir a um coletivo que aceita a moda como mais uma de suas ferramentas e nos mostra como ela pode interagir com o ambiente.


Por Luciana Obniski, da revista Época São Paulo
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 21/06/2008
Especial SPFW


Água de Coco: Para fazer bonito na praia ou no clube





A moda praia da Água de Coco tem sofisticado a imagem da sua mulher desde o verão passado. A grife de Fortaleza veste agora mulheres que poderiam estar em qualquer outra praia - fina - do planeta, mas que queriam mesmo estar no Mediterrâneo. Aqui pra gente, os biquínis vistos na passarela são perfeitos pra ‘causar’ na praia - não são tanto pras meninas que se preocupam com esportes ou com marcas de sol, mas sim com as que querem continuar fashionistas mesmo no clube ou na areia.

Por conta dessa sofisticação o biquíni cresce de tamanho - uma hora a parte de cima é maiorzinha, em outra a parte de baixo cobre mais o corpinho magro da modelo. E mesmo nesses pedacinhos (micro!) de tecido, a Água de Coco insere elementos de design como dobraduras, drapeados, torções, amarrações e mais. Tudo pra acrescentar graça e valorizar as pecinhas como moda mesmo. As saídas de jérsei também aparecem drapeadas e bem soltas - e trabalhos no jérsei, com abundância de tecido em drapês e pregas, têm como resultado uma imagem leve, quase esvoaçante, mas que na prática não marcam e deixam todo mundo bem magrinha.

A coleção tem inspiração nas paisagem de países mediterrâneos, e direto de lá vem a cartela de cores: azuis claros de um mar refletido pelo sol e azul intenso do mar aberto, onde os barcos passeiam; marrons e beges das vilas e construções gregas; brancos e beges se misturam aos outros tons em degradês bem chiques. E esses degradês estampam as peças mais ‘desejo’ da coleção inteira. As estampas retratam coqueiros e folhagens, e as tiras mais largas dos tops dos biquínis e dos maiôs se encontram nos ombros e nas costas, quase sempre ligados por argolas douradas ou cobertas pelo prórpio tecido. Biquíni pra ver e pra ser vista, e pra fazer bonito no verão.


Por Cristina Zanetti e Fernanda Resende, do blog Oficina de Estilo

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 21/06/2008
Especial SPFW


Neon: Uma enxurrada de classe





Ao som da música “Here Comes the Sun” de George Harrisson, a top poderosa Carol Ribeiro abriu o desfile da Neon usando um macacão frente única com pernas pata-de-elefante e estampa preta e branca de um lado e preta e vermelha do outro. Batizada de As Mulheres da Ilha, a coleção da marca misturou as índias brasileiras com as tahitianas e as havaianas. Cada look trazia uma estampa diferente, todas cheias de classe, mas o vestido curto e volumoso usado pela modelo Andressa Fontana, que trazia a reprodução de um dos quadros de Paul Gauguin, era tão bonito que parecia ter sido tirado das paredes de um museu, direto para a passarela. A cintura alta reinou, as vezes nas pantalonas de pernas largas, que tinham os mais variados comprimentos, as vezes em calças cigarretes. Os ombros também estavam na pauta do dia e apareceram em frente-únicas e tomaras-que-caia. Os brincos gigantes e usados de um lado só feitos pela designer Christine Yufon foram o acessório perfeito para esta mulher classuda, vanguardista e segura de si que estava na passarela. Fechando o desfile, uma belíssima modelo negra, usando apenas uma tanga feita de placas de metal coloridas deixou a platéia quase muda com seu gingado elegante, suas passadas firmes e olhar desafiador. O semi-silêncio durou até a enxurrada de palmas que tomou conta da sala começar.


Por Denise Dahdah, editora de moda da revista QUEM
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 22/06/2008
Especial SPFW


Isabela Capeto: Delicadeza em mil bordados




Isabela Capeto desfilou nessa manhã um momento comercial novo. Menos pelo $$$ investido - por conta da venda (parcial) para o grupo de gestão de marcas de moda InBrands - e mais pela quantidade de peças versáteis que a estilista apresentou. As roupas de Isabela são sempre especiais, têm tratamento carinhoso (e têm um super trabalho de confecção!), então não são pra todo mundo - nem todo mundo “carrega”. É um luxinho pra poucas, mas dessa vez pra um pouco mais de gente: não teria como massificar sua produção sem perder o viés artesanal, então a diversidade aparece no tipo de peça! No meio dos vestidos - peças únicas - a passarela mostrou mointas peças separadas e intercambiáveis. Peças que rendem muitas coordenações e que não custam tanto quanto um vestidón bem bordado.

A essência feminina e delicada do trabalho da estilista tá toda lá, bem com a cara dela, interpretando as principais tendências pro próximo verão. Tem transparência, tem babado, tem decote nas costas e decote tipo um ombro só, tem brilhos, tem colete e tem vestido longo. Tudo cheio de sutilezas, que esse mérito a Isabela tem: a gente tá num tempo em que todo mundo quer trabalhar mais a roupa, quer inserir mais detalhes artesanais e tals, mas na roupa de Isabela Capeto cada bordado tem um significado, cada detalhe tem um conteúdo intelectual, tudo é pensado e nada aparece por acaso - roupa com sentido, sabe como? E sempre foi assim. A inspiração pra essa coleção veio do México e apareceu na forma de uma “perua exagerada, espalhafatosa” - na visão da estilista essa imagem é somente mais sofisticada, mais mulherzinha e menos menina que o seu usual. O que é sensacional! As modelas mostraram calças (incríveis) com pernas amplas em cores coringa como bege e marinho, que é pra gente conseguir coordenar as cores-coloridas melhor. Essas calças e os shortinhos foram coordenados com camisetas e batinhas nada banais, cheias de bordados e detalhes e formas aplicadas em outros tecidos - super objetos de desejo, ao alcance de (quase) todo mundo. Pra sobrepor, coletes mointo bordados, bem ricos, com paetês e plaquinhas de metal dourado em várias micro-formas: vale a visita à loja pra ver de perto como é liiiindo!

A base das roupas aparece em marinhos (teve jeans!), beges, roxos, verdes, rosa e amarelo, tudo salpicado de dourado, o tempo todo. E mesmo com tanta informação embutida na roupa, não é uma coleção pesada, nem com cara de festa: Isabela faz roupa pro dia-a-dia, pra usar mesmo. Na loja (provavelmente) essa vai ser uma ótema coleção pra cliente fiel, seguidora da estilista - mas também vai ser uma super oportunidade de ter uma pecinha menos cara, pra quem sempre quis experimentar o estilão da marca. Tipo pra ter uma peça significativa, “valiosa”, e fazê-la desfilar mointo na vida real, de muitas maneiras diferentes! A gente achou que a Isabela Capeto, agora convivendo de perto com as leis do capitalismo, fe a lição de casa e encontrou utilidade pra suas peças. Pra alcançar mais gente do seu jeitinho, sem perder o seu caminho e sem banalizar.


Por Cristina Zanetti e Fernanda Resende, do blog da Oficina de Estilo
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 22/06/2008
Especial SPFW


Jefferson Kulig: Tecnológico e orgânico





O tecnológico encontra o orgânico na coleção de verão 2009 de Jefferson Kulig. As formas, quando retas, eram equilibradas por tecidos leves, estampas de partes do rosto e, as vezes, fios compridos bordados que ultrapassavam a barra e davam a impressão de uma barba rala. As calças eram todas skinny, feitas do seu tecido favorito, o TK Borracha (Jefferson é formado em química), e usadas com batas estruturadas. Os vestidos, na maioria das vezes seguiam a forma seca das batas, mas tinham detalhes doces como renda de flores cortada a lazer e babados pequenos, que atualizavam um pouco os looks. Nos pés, as chamadas Sabotas (sandálias-botas), sempre sem salto e com detalhes que remetiam a orelhas ou dedos, na altura do tornozelo. Sem grandes surpresas, a coleção deve agradar aos fãs do minimalismo com pitadas de sportswear e ares modernistas que foi tão celebrado nos anos 90.

Por Denise Dahdah, editora de moda da revista QUEM
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 22/06/2008
Especial SPFW


Miguel Vieira: Jet-set português





Seja em Portugal, de onde vem o estilista, ou no Brasil, jet-set é sempre jet-set. E o estilista, mais uma vez, baseou sua coleção em homens e mulheres que estão sempre correndo o mundo. Os cabelos molhados e penteados rente à cabeça só ressaltavam a vida sempre próxima a um iate, que o estilista tanto adora.

A coleção, mista, propôs para os homens uma alfaiataria rente ao corpo (às vezes apertada demais), com sobreposição de blazers, suéters e, às vezes, casacas. Para as mulheres, maiôs com cortes não-convencionais e bons vestidos cocktail (o melhor da coleção). As cores ficaram entre branco, preto e dourado (havia dourado em demasia na coleção masculina).

Nos pés, as meninas usavam sandálias de salto alto com uma fita que, enrolada nas pernas, ia até o joelho. Os meninos usaram sapatos sociais, alguns deles dourados.

A trilha animou a platéria. Tocou a banda americana VHS or Beta com a ótima “We Could Be One” e a maquiagem seguia o frescor de “acabei de sair do mar” que também inspirou os cabelos. Portanto, nada de muito exuberante. Só uma pele bonita e brilhante.


Por Luciana Obniski, da revista Época São Paulo
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 22/06/2008
Especial SPFW


Amapô: Monocromático, corajoso e emocionante




A trilha sonora com hits dos anos 80, como “Power of Love”, de Huey Lewis e “Footloose”, foi a única coisa que nos lembrou, nesta coleção, dos desfiles passados da Amapô. Com coragem e personalidade surpreendentes, a marca deixou para trás suas estampas geométricas e shapes obviamente 1980s para alcançar, literalmente, um novo vôo. Inspiradas na Asa Delta, Carô Gold e Pitty Taliani mostraram apenas looks monocromáticos, que percorreram quase todas as cores e tons. Com o vento vieram também os detalhes de dobraduras que estavam presentes em quase todas as peças, mostrando um exercício incrível de tridimensionalidade possível. As costas e ombros, quase sempre de fora, eram temperados pelos comprimentos um pouco acima do joelho e pelos shapes confortáveis e distantes do corpo, sempre com as cinturas marcadas. Os acessórios, pulseiras pesadas e quadradas, óculos médios de formas geométricas e chapéus origami, sempre acompanhavam as cores dos looks. No final do desfile, os modelos retornam a passarela e formam um arco-íris que ia do branco ao preto, formando uma imagem forte e delicada ao mesmo tempo, que causou arrepios, gritos e muitas palmas.


Por Denise Dahdah, editora de moda da revista QUEM
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 22/06/2008
Especial SPFW


Ronaldo Fraga: Maestria mineira




Ronaldo Fraga sempre impressiona. Mesmo sendo um dos desfiles mais esperados da temporada, o estilista mineiro ainda assim consegue deixar a platéia boquiaberta com sua capacidade de traduzir uma inspiração - e uma história - em moda. Ronaldo pesquisa a fundo cada tema apresentado e, por isso, faz coleções tão cheias de significado. Ele, inclusive, admite gostar de estabelecer uma relação profunda com suas inspirações, pois assim tem uma “desculpa para pesquisar várias coisas até achar uma inspiração válida”. Desta vez, não por acaso, o tema foi o rio São Francisco (Ronaldo é contra a transposição).

O desfile contou a história do rio, que no começo era limpo e fonte de comida e renda para diversas cidades à sua beira, até a invasão de navios e do comércio, que o usavam como rota de transporte, e que deixaram o rio sujo e inabitável, como ele é hoje.

Os primeiros vestidos, então, retratam paisagens vivas, coloridas e “saudáveis” em bordados riquíssimos. Os vestidos têm formas amplas, em A, e mangas que lembram nadadeiras de peixes (mais curtas na frente e mais compridas atrás). O meio do desfile foi composto de estampas de caixas e listras que remetem a tábuas de madeira (e simbolizam a fase de degradação do rio), e variações de escamas de peixe (no jeans ou em seda), indicando a morte da fauna do rio.

No fim, o jeans escuro e os peixes enfileirados remetem ao rio já poluído e sem vida. As paisagens dos vestidos aparecem “rasgadas” e com cores de terra seca. As formas, mais amplas, deram espaço para shorts e bermudas saruel (objetos instantâneos de desejo), casacos desconstruídos e blusas amarradas por nós que criavam silhuetas bem femininas, ao estilo de Ronaldo.

Na trilha, ouvimos Tetê Espíndola e uma trupe de cantores que faziam diversos sons com a boca e cantaram, entre outras canções, uma versão instrumental de “Marinheiro Só”. Lindo.
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 22/06/2008
Especial SPFW

Wilson Ranieri: Exercícios de modelagem





O estilista Wilson Ranieri, que já trabalhou com Clo Orozco (da Huis Clos), é super conhecido pelo cuidado com a modelagem das roupas que cria. Dobraduras, nervuras, franzidos e pregas fazem parte do seu repertório pensado especialmente para meninas jovens, antenadas e sofisticadas.

No desfile fica bem claro o esforço de um exercício de modelagem em drapeados, volumes, pregas (inusitadas!) e decotes assimétricos, num showcase de vestidos tipo camisola - quase sempre em rosas pálidos, com alcinhas de lingerie e tudo. As calças, bermudas e macacões tinham uma modelagem super super interessante, com uma quantidade grande de tecido drapeado na parte de trás da silhueta, caindo sobre as pernas e acabando sequinho sequinho na frente - parece maluco, mas era incrível. Porque quando as modelas andavam esse volume da parte de trás compunha um movimento lindo, e ainda assim a silhueta não era acrescida de volume (e na vida real super não deixa gordinha!).

Mas faltou sofisticação, especialmente nos tecidos escolhidos pelo estilista - e a gente sabe que ele é super capaz de fazer o olho da platéia brilhar. A gente saiu da sala de desfile com a sensação de que faltou alguma coisa (além da fila final das modelos, quando a gente pode ver todos os looks da coleção ao mesmo tempo - nesse desfile elas não voltaram pra mostrar as roupas de novo!). A impressão que ficou foi a de que a gente viu o”portfolio de habilidades” de Wilson Ranieri - todo mundo tem certeza de que ele é bem bom, bem talentoso. Mas a gente viu essa capacidade toda em tentativas meio que sem conclusão.


Por Cristina Zanetti e Fernanda Resende do blog Oficina de Estilo